terça-feira, 21 de agosto de 2012

Avalie o ensino por trás das siglas

Longe de serem um emaranhado de letras e números, sistemas de medição de desempenho podem ser úteis aos pais quando bem compreendidos

Por Jônatas Dias Lima da Gazeta do Povo:



A divulgação do Índice de Desenvolvimento da Edu­­cação Básica (Ideb) na semana passada chamou a atenção da imprensa e de todo o setor educacional. Apesar do destaque dado aos números e das primeiras análises feitas sobre eles, é difícil mensurar até que ponto a população compreende o significado desses indicadores e para que eles servem. Para especialistas, o intenso contato com os dados, sem entendê-los, pode induzir estudantes e pais de alunos a caírem no equívoco da supervalorização dos números ou, no outro extremo, na subutilização desses instrumentos.
Um dos erros mais comuns a que famílias estão sujeitas seria a adoção de uma nota, analisada de forma isolada, como critério único para determinar a qualidade do ensino e a adequação de uma escola para o aluno. “O dado estatístico é apenas uma parte do todo. Não podemos dizer que a nota obtida revela todo o potencial de uma escola”, diz a psicopedagoga e professora do curso de Pedagogia da Pontifícia Universidade Ca­­­­tólica do Paraná (PUCPR) Evelise Portilho.



Para ela, uma visita à escola e conversas com a direção da instituição são essenciais para identificar se o colégio se adapta às expectativas da família. Isso não pode ser substituído por uma simples consulta à nota do Ideb, por exemplo. Segundo Evelise, é preciso olhar com a mesma prudência para índices ou pro­­vas de desempenho de outros ciclos da educação, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou o Exame Na­­cio­­nal de Desempenho de Estudantes (Enade). “Em todos esses casos, as estatísticas são apenas uma maneira de olhar a realidade.”
Exigência natural
Para o pesquisador e dou­­­­­­tor em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) João Ma­­lheiro, os índices são instrumentos necessários e naturalmente exigidos pela população quando se trata da prestação de serviços. “Quando vamos a um restaurante, hotel ou hospital, queremos ver a sua classificação. Por que não exigiríamos o mesmo na educação?”, questiona.
No caso do Ideb, Malheiro defende, inclusive, a colocação da nota obtida pela instituição na entrada da escola para tornar o resultado visível a toda a comunidade. A ideia já é aplicada em alguns municípios brasileiros e tramita no Congresso Nacional como projeto de lei, de autoria do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). “Ajudaria a acabar com a manutenção de um sistema de baixa qualidade e des­­pertaria as famílias e a vizinhança para agirem contra a enganação no ambiente escolar”, afirma Malheiro.
Essa forma de usar o índice, no entanto, divide a opi­­nião dos educadores. A Fundação Abrinq, por exemplo, emitiu nota no ano passado condenando a proposta. A instituição considera que a medida expõe os alunos de escolas mal avaliadas a constrangimentos e alega ser inconstitucional.
Conheça cada um
Ideb
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica é o resultado de um cálculo que leva em conta os números de aprovação, reprovação, evasão escolar e o desempenho dos alunos nas avaliações do Saeb e na Prova Brasil. É o indicador que permite o mapeamento detalhado da educação brasileira, com dados por escolas, municípios e estados. Por meio dele, é possível identificar onde estão as escolas com maiores problemas, que precisam de mais investimentos e cobrança de resultados.
Enade
O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes é uma prova aplicada todos os anos à parte das graduações do país.O teste é obrigatório a todos os alunos ingressantes e concluintes dos cursos avaliados, já que a obtenção do diploma é condicionada à participação no Enade. Cada curso é avaliado a cada três anos.

Prova Brasil
É um exame obrigatório para todos os estudantes de 5º e 9º anos de escolas públicas. Na avaliação, os estudantes testam seus conhecimentos em Matemática e Português. A Prova Brasil não avalia o aluno individualmente; está focada no sistema de ensino de cada escola, promovendo um balanço da situação educacional no país. A avaliação não engloba todo o conteúdo do currículo escolar, mas cobra as competências que os alunos devem dominar em determinada idade.
IGC
O Índice Geral de Cursos é um indicador que mede a qualidade das instituições de ensino superior no país, avaliando cursos de graduação e pós-graduação (mestrados e doutorados). Para medir a qualidade das graduações, o índice usa a média dos CPCs dos últimos três anos, além da nota do Enade. No caso dos cursos de mestrado e doutorado, é usada a nota emitida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
CPC
O Conceito Preliminar de Curso é uma nota elaborada com base na análise de vários aspectos de cada curso superior, como nota dos ingressantes, nota dos concluintes, proporção de professores com doutorado e infraestrutura – de acordo com a opinião dos alunos. A média de três CPCs, unidos à nota do Enade, compõe um IGC.
Enem
O Exame Nacional do Ensino Médio é uma prova aplicada anualmente, cujo objetivo original era avaliar o aprendizado dos alunos de ensino médio no país. Nos últimos anos, no entanto, o exame tornou-se uma das principais formas de acesso ao ensino superior, seja por meio da obtenção de bolsas de estudo ou pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
Saeb
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica é uma prova aplicada a cada dois anos que avalia uma amostra de alunos matriculados no 5º e 9º anos do ensino fundamental e no 3º ano do ensino médio. Participam estudantes de escolas públicas e particulares, rurais e urbanas. Como os resultados são obtidos por amostragem, não há indicadores por escola ou município, apenas por regiões e unidades da federação. As provas são constituídas por questões de Matemática e Português e os estudantes recebem notas de zero a dez. Além disso, são coletados dados socioeconômicos dos alunos, professores e diretores e informações sobre as condições físicas e recursos das escolas.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012


"Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas", diz Ziraldo na Bienal

Por Guilherme Solari do UOL.


Uma breve conversa de 15 minutos com Ziraldo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo acaba passando por temas como literatura, colonização brasileira, marketing, UFC, novas tecnologias, casos de família e até mesmo um pouco sobre os seus lançamentos na feira.
Aos 80 anos e em sua 16ª Bienal, o pai do Menino Maluquinho não cessa de enfatizar a importância de feiras literárias e do próprio livro para enfrentar o que ele considera em “emburrecimento” endêmico da sociedade.
“A família brasileira não lê. Nós temos a internet que pode ser a fonte da vida e do conhecimento, mas o computador é usado como brinquedo. Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas”, disse Ziraldo ao UOL. “Bote um livro na mão do seu filho e ensine o domínio da leitura. Se ele não dominar isso, só vai dar certo se souber jogar futebol ou dar porrada muito bem para entrar nesse UFC”.
Ziraldo mostra não aprovar o sucesso das competições de artes marciais mistas. “Liguei a TV de madrugada outro dia e vi dois seres se esfregando. Achei que fosse pornografia. E aí o chão começou a se encher de sangue como se tivesse rompido o hímen. Só depois percebi que era essas lutas”, contou Ziraldo.
Apesar de ser autor de obras que marcaram seguidas gerações de crianças brasileiras, Ziraldo diz que não se considera um narrador. “Não tenho um talento como o de Thalita Rebouças ou da autora do Harry Potter”, falou. “Eu parto de uma ideia simples como uma ilustração e tento fechá-la com chave de ouro, como fazia quando trabalhava no marketing”.
“O livro é o objeto mais perfeito da história da humanidade”, defendeu Ziraldo. “Você carrega a história em suas mãos, sente o cheiro do papel, o tempo que você vira uma página é um tempo que percorre na história. O livro contém vida e isso não pode ser substituído por algo frio e digital”.
Quando perguntado sobre o que mudou em sua comunicação com as crianças em todos os anos de literatura infantil, Ziraldo responde: “Não mudou nada. Os tempos e as tecnologias podem mudar, mas a criança não muda nunca”. Ziraldo lança na feira “O Grande Livro das Tias” (Melhoramentos), homenagem às tias e sua importância na infância.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

sábado, 4 de agosto de 2012

GABARITO DO SEGUNDO SIMULADO

01- A
16- B
31- E
46- E
61- D
76- A
02- A
17- D
32- B
47- C
62- C
77- B
03- D
18- C
33- D
48- B
63- A
78- A
04- C
19- B
34- D
49- B
64- E
79 -E
05- A
20- C
35- B
50- C
65- A
80 -A
06- D
21- C
36- D
51- D
66- C
81- A
07- B
22- B
37- C
52- B
67- D
82- E
08- E
23- D
38- B
53- B
68- A
83- D
09- C
24- C
39- B
54- B
69- A
84- E
10- D
25- E
40- A
55- A
70- C
85- D
11- B
26- B
41- A
56- C
71- A
86- E
12- A
27- D
42- E
57- A
72- A
87- D
13- E
28- B
43- A
58- C
73- D
88- B
14- E
29- B
44- C
59- B
74- B

15- D
30- B
45- C
60- A
75- E

quinta-feira, 26 de julho de 2012

UFPR: Cursos e Profissões. Uma feira de ideias para o seu futuro


A Universidade Federal do Paraná realiza nos dias 14, 15 e 16 de setembro de 2012 a 10ª edição da “UFPR: Cursos e Profissões. Uma feira de ideias para o seu futuro”, em novo local, no Centro de Eventos do Setor de Educação Profissional e Tecnológica (Sept), na Rua Alcides Vieira Arcoverde, 1225, Jardim das Américas.

O evento é uma oportunidade para os estudantes que pretendem ingressar na universidade conheçam os cursos oferecidos, a infraestrutura da instituição, novidades sobre o processo seletivo entre outros aspectos do Ensino Superior. Todos os cursos da UFPR terão estandes próprios, onde estudantes e professores atenderão os visitantes, fornecendo informações e tirando dúvidas.

Confira toda a programação da UFPR: Cursos e Profissões.

Fonte: www.ufpr.br/portalufpr/eventos/ufpr-cursos-e-profissoes-uma-feira-de-ideias-para-o-seu-futuro/

terça-feira, 17 de julho de 2012

No ensino superior, 38% dos alunos não sabem ler e escrever plenamente

POR LUIS CARRASCO, MARIANA LENHARO 

Entre os estudantes do ensino superior, 38% não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa. O indicador reflete o expressivo crescimento de universidades de baixa qualidade.
Criado em 2001, o Inaf é realizado por meio de entrevista e teste cognitivo aplicado em uma amostra nacional de 2 mil pessoas entre 15 e 64 anos. Elas respondem a 38 perguntas relacionadas ao cotidiano, como, por exemplo, sobre o itinerário de um ônibus ou o cálculo do desconto de um produto.
O indicador classifica os avaliados em quatro níveis diferentes de alfabetização: plena, básica, rudimentar e analfabetismo (mais informações nesta pág.). Aqueles que não atingem o nível pleno são considerados analfabetos funcionais, ou seja, são capazes de ler e escrever, mas não conseguem interpretar e associar informações.
Segundo a diretora executiva do IPM, Ana Lúcia Lima, os dados da pesquisa reforçam a necessidade de investimentos na qualidade do ensino, pois o aumento da escolarização não foi suficiente para assegurar aos alunos o domínio de habilidades básicas de leitura e escrita.
"A primeira preocupação foi com a quantidade, com a inclusão de mais alunos nas escolas", diz Ana Lúcia. "Porém, o relatório mostra que já passou da hora de se investir em qualidade."
Segundo dados do IBGE e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), cerca de 30 milhões de estudantes ingressaram nos ensinos médio e superior entre 2000 e 2009. Para a diretora do IPM, o aumento foi bom, pois possibilitou a difusão da educação em vários estratos da sociedade. No entanto, a qualidade do ensino caiu por conta do crescimento acelerado.
"Algumas universidades só pegam a nata e as outras se adaptaram ao público menos qualificado por uma questão de sobrevivência", comenta. "Se houvesse demanda por conteúdos mais sofisticados, elas se adaptariam da mesma forma."
Para a coordenadora-geral da Ação Educativa, Vera Masagão, o indicativo reflete a "popularização" do ensino superior sem qualidade. "No mundo ideal, qualquer pessoa com uma boa 8.ª série deveria ser capaz de ler e entender um texto ou fazer problemas com porcentagem, mas no Brasil ainda estamos longe disso."
Segundo Vera, o número de analfabetos só vai diminuir quando houver programas que estimulem a educação como trampolim para uma maior geração de renda e crescimento profissional. "Existem muitos empregos em que o adulto passa a maior parte da vida sem ler nem escrever, e isso prejudica a procura pela alfabetização", afirma.
Jovens e adultos. Entre as pessoas de 50 a 64 anos, o índice de analfabetismo funcional é ainda maior, atingindo 52%. De acordo com o cientista social Bruno Santa Clara Novelli, consultor da organização Alfabetização Solidária (AlfaSol), isso ocorre porque, quando essas pessoas estavam em idade escolar, a oferta de ensino era ainda menor.
"Essa faixa etária não esteve na escola e, depois, a oportunidade e o estímulo para voltar e completar escolaridade não ocorreram na amplitude necessária", diz o especialista.
Ele observa que a solução para esse grupo, que seria a Educação de Jovens e Adultos (EJA), ainda tem uma oferta baixa no País. Ele cita que, levando em conta os 60 milhões de brasileiros que deixaram de completar o ensino fundamental de acordo com dados do Censo 2010, a oferta de vagas em EJA não chega a 5% da necessidade nacional.
"A EJA tem papel fundamental. É uma modalidade de ensino que precisa ser garantida na medida em que os indicadores revelam essa necessidade", diz Novelli. Ele destaca que o investimento deve ser não só na ampliação das vagas, mas no estímulo para que esse público volte a estudar. Segundo ele, atualmente só as pessoas "que querem muito e têm muita força de vontade" acabam retornando para a escola.
Ele cita como conquista da EJA nos últimos dez anos o fato de ela ter passado a ser reconhecida e financiada pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). "Considerar que a EJA está contemplada no fundo que compõe o orçamento para a educação é uma grande conquista."
(O Estado de S. Paulo, 17 de julho de 2012)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Portal reúne vídeos de aulas das melhores universidades do mundo, com legendas em português


RIO - Assistir a aulas das melhores universidades do mundo pela internet virou uma realidade quando Massachussets Institute of Techonology (MIT) disponibilizou alguns de seus conteúdos de graça na rede, em 2002. O movimento foi seguido por diversas instituições e, agora, ficou muito mais acessível aos brasileiros: o portal Veduca, criado este ano, disponibiliza diversos vídeos, com legendas em português, de aulas em instituições americanas renomadíssimas como Harvard, MIT, Berkeley, Columbia, Princeton e UCLA.



O projeto foi criado por um grupo de engenheiros formados no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Eles perceberam que as principais instituições de ensino no mundo caminhavam nesta direção, mas que havia pouquíssimas experiências no país. Quando o portal entrou no ar, em março, rapidamente bateu a marca dos 100 mil acessos. Isso sem investimento em publicidade e divulgação. Hoje, já são 500 mil acessos e quase 5 mil vídeos disponibilizados.
Carlos Souza, um dos fundadores do 'Veduca', conta que, para colocar o portal no ar, eles contrataram 10 tradutores. No entanto, muitas pessoas começaram a procurá-los com o intuito de colaborar. Foi desenvolvida então uma plataforma no próprio site para os legendadores voluntários. Hoje, cerca de 100 ajudam com as legendas dos vídeos e o trabalho é todo supervisionado por especialistas, para evitar erros.
- O movimento do open course começa no MIT três anos antes de existir o YouTube. Só que apenas 2% dos brasileiros fala inglês bem. Então, havia um conteúdo enorme que as pessoas não tinham acesso. Temos uma carência muito grande na educação, há uma demanda enorme por parte das pessoas. Tem várias pessoas que entram em contato contando que estudam uma coisa, mas através do portal conheceram outras. Isso abre a cabeça das pessoas. Das pessoas que acessam a internet no país, 66% busca educação. Nossa meta é chegar a um milhão de acessos por mês até o fim do ano. E legendar todos os vídeos até 2013 - afirma Souza, um dos fundadores do projeto.
Além da legendagem, o grupo investe em ferramentas tecnológicas para facilitar a vida dos usuários. Uma delas permite que sejam feitas buscas no áudio das palestras. Por exemplo: se um usuário busca por Freud, será apresentada uma lista de vídeos em que ele é citado. Ao clicar na opção desejada, a exibição começará do ponto em que o professor cita o pai da psicanálise. Ao mesmo tempo, ao assistir um vídeo, aparece uma lista de notícias relacionadas com o assunto. Os recursos já provocaram até o interesse empresas de mídia.
No segundo semestre, o portal vai entrar de cabeça na produção de vídeos em universidades brasileiras. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) será a primeira delas.
- O próprio reitor entrou em contato com a gente para fazer este trabalho. Fomos para uma reunião e conversamos para que a Unicamp seja a primeira a participar do Veduca entre as brasileiras. Estamos muito felizes com o resultado. Não pretendemos fechar o conteúdo. Vamos sobreviver com publicidade. O objetivo é facilitar o acesso ao conhecimento - resume Souza.