quarta-feira, 20 de março de 2013

Programa Universidade para Todos: democratizar ou mercantilizar?


    A expansão das matrículas do ensino médio, o recrutamento de força de trabalho pelo capital e as mobilizações de estudantes e docentes em prol de uma reforma universitária tornaram improrrogável a questão da democratização do acesso à educação superior. O crescimento econômico motivou a emergente classe média a investir – como o passaporte para a mobilidade social – em cursinhos pré-vestibulares para garantir o acesso de seus filhos à universidade. Os estudantes excedentes (aprovados, mas sem vagas) saíram às ruas em protestos que abalavam a imagem do “Brasil potência”.
   Diante das pressões, o governo argumentou que as vagas públicas não poderiam atender prontamente à demanda. “Sensível” aos reclamos sociais, induziu a abertura de vagas no setor privado, em instituições universitárias ou não (uma firula, diante da causa democrática), por meio de pesadas isenções tributárias e empréstimos estudantis fortemente subsidiados pelo poder público. Assim, o anseio dos estudantes poderia ser realizado “aqui e agora”. Ao mesmo tempo, contemplaria os interesses capitalistas dos empresários da educação, segmento que demonstrara força política no processo de elaboração da Lei de Diretrizes e Bases.
   Evidentemente, referimo-nos até aqui à ditatura civil-militar de 1964. O sistema de bolsas foi colocado em prática pela Emenda Constitucional n. 1, de 1969, que determinava a criação de bolsas de estudo restituíveis, e pelo artigo 20 da Constituição de 1967, que vedava à União, aos estados e aos municípios a cobrança de impostos sobre renda, patrimônio e serviços dos estabelecimentos de ensino. Houve uma acentuada expansão das matrículas no ensino superior: entre 1960 e 1980, de 200 mil para 1,4 milhão (cerca de 500%), mas o grande impulsionador da expansão foi o setor privado (crescimento superior a 800%), que partiu de um patamar de 42% das matrículas no início dos anos 1960, alcançando 50% em meados dos 1970 e, em 1980, sendo responsável por 63% do total. A solução emergencial do problema do acesso expandiu e diferenciou as instituições de ensino superior privadas, legitimando a contrarreforma de 1968, calibrada pelos Acordos MEC-Usaid. Ao final da ditadura, o sistema público assumiu função complementar ao privado. As frações mais pauperizadas teriam de se conformar com cursos aligeirados, adequados para formar o exército industrial de reserva.
   A crítica à ditadura colocou em evidência o perverso modelo privado-mercantil: embora ofertando cursos, em geral sem qualidade, os lucros do setor ampliaram exponencialmente sob o manto da filantropia. Daí por que a luta na Constituinte ter priorizado a consigna: verbas públicas para as escolas públicas. Derrotas e avanços coexistem no capítulo da educação da Carta de 1988. O artigo 207 consagra a universidade como uma instituição autônoma e referenciada na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, mas o artigo 209 estabelece que o ensino é livre à iniciativa privada, e os artigos 150 e 213 admitem a possibilidade de repasse de recursos públicos (apenas) para as instituições “sem fins lucrativos” (comunitárias, filantrópicas e confessionais).
Fernando Henrique Cardoso institucionalizou o caráter privado-mercantil das “particulares” (Decreto n. 2.306/1997). A expansão, doravante, foi liderada por essas instituições com fins lucrativos (em 2008, das 2.016 privadas, 1.579 eram particulares). Após o boomdas matrículas privadas entre 1995-1999, o setor educacional foi afetado por uma crise semelhante à dos anos 1980: não havia mercado consumidor, com renda, para comprar o serviço educacional. Nesse contexto, o poder do atraso se impôs. O resgate das organizações privadas dar-se-ia em nome do interesse público. Tratava-se de democratizar o acesso “aqui e agora”, ainda que financiando as instituições privadas. O diagnóstico do governo era de que o setor público não daria conta e era pouco eficiente nos gastos. O setor privado seria auspiciado por uma dupla medida já conhecida: a) oferecer isenções tributárias para as organizações privadas (Programa Universidade para Todos), ultrapassando até mesmo os limites da Constituição (ao conceder isenções às instituições com fins lucrativos) e b) turbinar o programa de empréstimos subsidiados para os clientes (Fies).
   Muitos estudantes se beneficiaram do ProUni. E devem ser apoiados em seu direito à educação superior. Não resta dúvida de que outros muitos se beneficiaram da expansão e das bolsas na ditadura. O problema é que tal política destrói qualquer projeto democrático de nação. A opção pelo setor privado leva ao encolhimento do setor público. Em 2002, apenas 27% das matrículas eram públicas; em 2010, 25%. Difunde-se um padrão de educação minimalista e desvinculado das necessidades do país: apenas 0,002% das bolsas do ProUni foram para Geologia e 0,6% em Medicina, por exemplo; o grosso se destina a cursos de “humanidades”, tecnológicos de curta duração (sem relação com as áreas tecnológicas duras) e ciências sociais aplicadas, cursos fast delivery diploma.
   O próprio nome do programa é enganoso: não é universidade para todos, já que as vagas estão dispersas em todo tipo de instituição de ensino superior, inclusive nas mal avaliadas pelo MEC. É de baixa efetividade. Em 2005, apenas 77% das vagas anunciadas em maciças campanhas publicitárias foram ocupadas. Em 2008, apenas 58% das vagas anunciadas. O custo-aluno para o Estado é enorme, muito acima da mensalidade média das empresas: a) organizações com fins lucrativos: R$ 436; custo do bolsista: R$ 495; b) sem fins lucrativos beneficentes: R$ 597; valor pago por aluno: R$ 1.043 (2006).
Uma diferença em relação aos anos da ditadura precisa ser realçada. Atualmente, o setor é controlado por corporações e fundos de investimento com grande participação de capital estrangeiro. Não se trata mais de empresas familiares, mas de negócios que compõem o rol de investimentos especulativos do setor financeiro. Permitir, em nome da democracia, que a juventude brasileira permaneça prisioneira dessa educação mercantilizada é algo brutal. Urge mudar a direção da política educacional. E o eixo tem de ser público e universal. Uma universidade aberta a todos os que possuem um rosto humano. A história se move!

Roberto Leher

Professor titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ, além de pesquisador do CNPq 

Le Monde Diplomatique Brasil:http://diplomatique.org.br/artigo.php?id=1370

domingo, 10 de março de 2013

Aula de Interpretação - 17/03

Alunos do CEL - Cajuru,

Para a nossa primeira aula de Interpretação de Texto, é necessário que vocês leiam os textos que estão nos seguintes links:

Bilhete de Chico Buarque à diarista é considerado magistral

Bilhete de Gil à diarista é considerado incompreensível

Bilhete de João Gilberto à diarista é considerado revolucionário

Lobão critica recado de Caetano à diarista.

São textos curtos e divertidos de se ler. Então, a tarefa é a seguinte: leiam os textos e façam anotações sobre a intertextualidade dos textos e a vida dos cantores.

Não lembra o que é Intertextualidade? Clique aqui e descubra.


Professor Willian.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Preparação 2013

No dia 10/11, realizamos nossa última atividade oficial com os alunos: a revisão de véspera para o vestibular da UFPR. Tivemos aulas de todas as disciplinas ao longo do dia e fizemos um almoço com alunos, professores e a equipe da Escola Municipal Irati. A conclusão dos trabalhos, de fato, acontece com o resultado do vestibular. Mas a sensação que tivemos neste final de semana foi de dever cumprido.


O trabalho com a turma de 2012 terminou. No entanto, a preparação para 2013 também já se inicia. Para o ano que vem, queremos dar continuidade a todo o aprendizado que tivemos ao longo de 2012 e implementar novos projetos para garantir ainda melhores resultados para os nossos alunos. Em breve, você poderá acompanhar informações sobre a apresentação do projeto para a comunidade, data de matrícula e início das aulas. 

Qualquer dúvida, é só acessar a aba de contatos e mandar seu questionamento para nós.


domingo, 21 de outubro de 2012

Gabarito Simulado 3

1
D
21
D
41
D
61
C
INGLÊS
2
E
22
B
42
D
62
D
72
 C
3
D
23
D
43
E
63
E
73
 A
4
D
24
C
44
D
64
D
74
 B
5
A
25
D
45
C
65
B
75
 A
6
C
26
C
46
A
66
B
76
 B
7
E
27
D
47
B
67
B
77
 C
8
B
28
C
48
B
68
D
78
 E
9
A
29
A
49
E
69
C
79
 B
10
B
30
E
50
D
70
C


11
C
31
B
51
E
71
B


12
B
32
A
52
B
ESPANHOL


13
A
33
C
53
A
72
D


14
E
34
E
54
C
73
A


15
C
35
B
55
A
74
A


16
D
36
A
56
D
75
C


17
D
37
D
57
B
76
C


18
E
38
B
58
A
77
D


19
A
39
C
59
E
78
E


20
E
40
E
60
A
79
B


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Congresso uruguaio aprova descriminalização do aborto

Decisão foi votada nesta quarta-feira pelo Senado do país e depende do apoio do presidente José Mujica

O Congresso uruguaio aprovou nesta quarta-feira (17) a descriminalização do aborto. A decisão, que já havia passo pela Câmara dos Deputados no mês passado, foi referendada pelo Senado e agora aguarda o parecer do presidente José Mujica.
Para realizar um aborto, as mulheres uruguaias deverão ser submetidas, até o terceiro mês de gestação, a um comitê de ginecologistas, que mostrará as alternativas e os perigos da cirurgia.
O Uruguai será o segundo país a descriminalizar o aborto na América Latina. Até hoje, apenas Cuba permite tal prática.
De acordo com o jornal El País, todos os parlamentos da coalizão governista Frente Ampla foram favoráveis à nova lei. Para conseguir a maioria necessária na votação, o projeto também contou com o apoio de Jorge Saravia, do Partido Nacional.
Durante a votação, grupos contrários ao aborto fizeram um protesto em frente ao Senado. Quando o resultado foi anunciado pelo vice-presidente, Danilo Astori, porém, o público dentro do Congresso se manifestou com uma salva de palmas.
No governo anterior, de Tabaré Vázquez, que também faz parte da Frente Ampla, a medida foi aprovada pelo Poder Legislativo, mas a implementação foi vetada pelo então presidente. Em entrevista à BBC, no entanto, Mujica já sinalizou que não pretende vetar o projeto.

Tema que volta a ganhar força novamente. Estejam preparados para um possível redação sobre o tema do aborto, feminismo, emancipação da mulher, etc. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Balanço de 2012

Há 4 anos o Conhecimento em Luta está no bairro Cajuru. Dia 10 de novembro, fechamos a nossa quarta turma: mais uma turma preparada para o Vestibular da UFPR e para o Enem.

Nesses 4 últimos anos (em mais de 8 de existência do projeto), firmamos um compromisso – professores e equipe de apoio – com o bairro Cajuru. Cada uma dessas 4 turmas tem características diferentes e marcantes, que fizeram com que soluções educacionais fossem pensadas e repensadas a cada ano, a cada semestre, a cada encontro com os professores.

Esse texto é fruto do retorno que estamos tendo com o hoje Projeto Conhecimento em Luta. Esse retorno não é apenas das aprovações que tivemos na UFPR, UTFPR ou nas bolsas do Prouni. Estamos mudando a realidade do bairro Cajuru, mesmo que a passos de formigas. Não temos nenhum tipo de obrigação, que faça com que os ex-alunos voltem para ajudar o projeto como forma de "gratidão". Esses novos participantes que se voluntariam a nos ajudar vêm porque se dão conta da importância que o Conhecimento em Luta tem na vida daqueles que acreditam que só a educação pode transformar esse país.

Quando começamos com o projeto no Cajuru, poucos professores eram da região. Hoje, 50% do nosso quadro é composto por profissionais do próprio bairro. Para o próximo ano, a coordenação do projeto será inteiramente do bairro também. Com isso, um dos objetivos do Projeto se concretiza: a comunidade abraça o projeto e o toma para si; enquanto isso, o trabalho se multiplica para outros bairros.